IEST – Instituto de Educação e Saúde de Taquara

imagesCerto dia, conversando com um colega biólogo, ele me questionou: “Você é evangélico né? Como você lida com o ‘contraste’ entre fé e ciência? Com as questões evolucionistas?” Então eu sorri e comecei a lhe explicar, dando início a um longo bate-papo, para não dizer debate, no qual se envolveram outras pessoas presentes. Penso que eu não tenha sido perfeitamente compreendido naquele dia, pois, falava para pessoas que creem piamente na veracidade das “descobertas” evolucionistas. E muita coisa do que falei dependia da compreensão por parte deles de que a FÉ é independe de provas científicas. Pois, “a fé é a certeza de coisas que se esperam; a convicção de fatos que se não veem.” (Hebreus 11:1)

Refazendo as perguntas feitas acima para mim mesmo, acredito ter encontrado uma resposta muito simples para a questão do possível impasse entre ciência e fé. É o que tentarei expor nas próximas linhas, ratificando minha opinião com textos bíblicos e proféticos.

Outro dia, em viagem, observei à beira da estrada uma árvore cujas folhas estavam caindo. Uma bela imagem, adornada pela paisagem ao redor. Mas, que fenômeno realmente ocorre por trás de algo que tratamos como um evento comum? Na botânica, plantas que perdem suas folhas em determinada época do ano são chamadas de caducifólias, decíduas ou caducas. Esta liberação espontânea das folhas trata-se de uma estratégia para minimizar a perda de água através das mesmas, perda esta que ocorre durante o processo de evaporação. Esta queda dá-se geralmente nos períodos de pouca chuva.

Um cético neste momento questionaria: Sim, mas aonde você quer chegar? Onde Deus está inserido neste evento? Bem, ao observar este fenômeno, me veio à mente um ditado popular muito conhecido. Quem nunca ouviu dizer que “não cai uma folha de uma árvore sem que Deus permita”? Embora este ditado seja erroneamente propagado como se fosse um versículo bíblico, ele certamente nos permite algumas reflexões.

Abrirei aqui um “parêntese” no raciocínio para comentar este ditado que sempre me intrigou um pouco.

Este, quando usado, geralmente é com a intenção de confortar alguém que está a lamentar por uma situação ruim:

– Não fique assim. Deus não te abandonou. Ele conhece suas necessidades e no momento certo tudo se resolverá. Afinal, não cai uma folha de uma árvore sem que Ele permita.

Diria um amigo confortando outro. Expressando a ideia de que o Senhor sabe o que é melhor para esta pessoa, mesmo ela estando sofrendo naquele momento. Algo que poderia ser dito, por exemplo, para Jó. Que teve a sua fé provada, a fim de deixar o seu exemplo na história. Contudo, não significa que todos os casos de sofrimento passados pelo povo de Deus tenham os mesmos motivos dos de Jó.

Do contrário, a pessoa a ser confortada, com esta frase, corre o risco de inferir que determinada situação negativa que esteja passando seja fruto de uma vontade deliberada de Deus contra ela. Quando, provavelmente, a pessoa pode estar apenas sofrendo as consequências de suas más escolhas.

Mas se esta frase não é bíblica, haveria algum versículo que talvez tenha inspirado esse ditado? Quem sabe o versículo 24 de Ezequiel 17, que diz:

“Assim saberão todas as árvores do campo que Eu, o SENHOR, abati a árvore alta, elevei a árvore baixa, sequei a árvore verde e fiz reverdecer a árvore seca; Eu, o SENHOR, o disse e o farei”.

Assim, com base na queda espontânea de uma folha, o meu raciocínio foi gradativamente inclinando-se para a constatação de que Deus possui um pensamento científico. As árvores caducifólias secam e depois reverdecem, em uma estratégia de sobrevivência, porque o Senhor disse que assim deveria ser. Característica essa atribuída, provavelmente, após a queda no Éden. Não temo em dizer que O Senhor Deus, ao criar a natureza e atribuir características específicas a cada espécie, criou Ele, também, a própria ciência.

Respondendo à primeira questão, acredito que esta dicotomia entre religião e ciência, que nos foi herdada ao longo dos anos, existe somente nas mentes das pessoas que não creem na existência de Deus e daquelas que possuem uma visão extremamente pobre da grandeza do caráter e da personalidade Divina. Pois uma visão limitada, todos nós ainda temos:

“Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido”. (I Cor 13:12)

Portanto, crer que Deus e ciência estão em lados opostos é um equívoco ao qual todos nós, por uma questão cultural, estamos propensos a cair. Mais que com a devida luz e observando a natureza com a inteligência que Deus nos concedeu poderemos entender que “na verdadeira ciência, nada pode haver que esteja em contradição com o ensino da Palavra; uma vez que procedem ambas do mesmo Autor, a verdadeira compreensão delas demonstrará sua harmonia. Toda a verdade quer na natureza quer na revelação, é coerente consigo mesma em todas as suas manifestações”. (Patriarcas e Profetas, pág. 114).

 

 

Sim, ainda que você enxergue a ciência como uma prática distante de ti, além de tua compreensão, a verdade é que ela está presente em nosso dia a dia, e não somente nos laboratórios. A verdade é que o Senhor nos dotou de inteligência para observar, refletir e descobrir a forma e a função de toda a criação. E a cada nova descoberta, por mais simples que seja, iríamos contemplar a magnitude da criatividade e inteligência Divina. E finalmente compreender que:

“O Senhor Deus ordena e traz as coisas à existência. Ele foi o primeiro planejador. Não depende do homem, mas solicita bondosamente sua atenção e coopera com ele em projetos progressivos e mais elevados. Então o homem toma toda a glória para si, e é enaltecido pelos semelhantes como um notável gênio”. (Medicina e Salvação, pág. 127)

Muitas pessoas talvez nunca tenham ouvido falar de Taxonomia. De maneira simples, podemos dizer que esta é uma disciplina acadêmica específica para determinar, com base em características comuns entre os seres, o nome dos grupos biológicos. De acordo com o relato do livro de Gênesis, e compreendendo o significado dessa disciplina, é interessante podermos concluir que Adão foi o primeiro taxonomista. Vejamos:

“Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome”. (Gênesis 2:19)

Não é atoa que a taxonomia é considerada, até mesmo por aqueles que não creem nos relatos da criação, como “a profissão mais antiga do mundo”. Portanto, novamente confirmamos que Deus, não apenas criou a ciência como, estimulou o homem a aplica-la.

Existe uma corrente entre alguns professos cristãos que defendem a ideia de que Deus apenas iniciou a criação. Que deu o start ao dotar de vida à primeira célula e então permitiu que esta evoluísse por si só, em milhares de anos dando origem ás espécies atuais. Talvez, você leitor esteja acreditando que este texto trate da exposição de um Cristão Deísta. Embora seja um raciocínio confortável para os cristãos que possuem uma afinidade com a ciência, está não é a verdade, muito pelo contrário. Correm sérios riscos de apostasia os cristãos que se enveredarem por estas crenças:

“Esses filósofos querem nos levar a crer que o homem, a obra-prima da Criação, veio do estado selvagem, e de muito mais longe, em passos gradativos, evoluiu da raça dos animais. Acham-se tão determinados a excluir Deus da soberania do Universo que degradam o homem, e roubam-lhe a dignidade de sua origem. A natureza é exaltada acima do Deus da natureza; ela é idolatrada, enquanto seu Criador é sepultado e oculto à vista pela falsamente chamada ciência.” – “Science and the Bible in Education” – Ellen G. White, Signs of the Times, 20 de março de 1884. 

A Bíblia é muito clara ao nos afirmar que o relato da criação em seis dias é literal. E que o próprio Deus separou um tempo para criação de cada ser. Contudo, nas escolas de hoje são cuidadosamente ensinadas e amplamente expostas as conclusões a que os doutos têm chegado em resultado de suas investigações científicas; por outro lado é francamente dada a impressão de que, se esses homens estão certos, não o pode estar a Bíblia.” (Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, pág. 377). 

Moisés não poderia expor, no livro de Genesis, os detalhes morfológicos e fisiológicos de cada ser criado, primeiro por não ser este o objetivo principal do livro, segundo, por que tal linguagem estaria muito além dos conhecimentos dos primeiros leitores da Bíblia. Durante o período da faculdade, quando me vi a estudar a morfologia e a fisiologia dos seres vivos. Quando me deparei com a perfeição das reações químicas e físicas. Com o “encaixe perfeito de cada peça”. Minha fé aumentou. Vi que tudo foi minuciosamente pensado por uma mente extremamente superior, perfeita, sobrenatural e ao mesmo tempo racional, e porque não dizer: uma mente científica.

Embora a Bíblia esteja repleta de relatos de milagres que estão além da nossa finita compreensão, acontecimentos nos quais cremos pelo principio da fé, não podemos nos esquecer de que nela também há relatos científicos.  Relatos de fenômenos que foram formalmente descobertos, muito tempo depois, tais como o, hoje conhecido, ciclo da água:

“Assim como a chuva e a neve descem dos céus e não voltam para eles sem regarem a terra e fazem-na brotar e florescer, para ela produzir semente para o semeador e pão para o que come”. (Isaías 55:10)

Deus permitiu que uma inundação de luz fosse derramada sobre o mundo, tanto nas ciências como nas artes; mas quando professos cientistas tratam estes assuntos de um ponto de vista meramente humano, chegarão certamente a conclusões errôneas. As maiores mentes, se não são guiadas pela Palavra de Deus em sua pesquisa, desencaminham-se em suas tentativas de traçar as relações entre a ciência e a revelação. Visto acharem-se o Criador e Suas obras tão além de sua compreensão que são incapazes de os explicar pelas leis naturais, consideram a história bíblica como indigna de confiança. (Patriarcas e Profetas, pág. 113)

É triste constatar que o homem se afastou de Deus de tal maneira que hoje se dedica a “provar” através da ciência a não existência d’Aquele que a criou.

 

Por Mário Santana
Cristão e Biólogo

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